Indie Rock, MPB

O Terno amadurecido e evoluído

Poucos são os artistas que em seu segundo trabalho conseguem se renovar em relação ao anterior. No contexto da música indie produzida nos últimos anos, são pouquíssimos. Raros são os artistas que em seu segundo trabalho conseguem se superar em relação ao anterior. Em seu mais novo trabalho – homônimo – lançado no segundo semestre desse ano, O Terno consolida-se não somente como uma das bandas mais interessantes da cena nacional, mas também como uma banda de musicalidade singular de alta qualidade.

o-terno-2014

 A maturação da banda é animadora. Se em seu primeiro o álbum (66) a banda soa descontraída e adolescente, logo nas primeiras faixas de O Terno se percebe o quanto soa amadurecida e renovada. Amadurecida nas novas construções melódicas (como em Bote ao Contrário), nos arranjos melhor trabalhados (como em Eu Vou Ter Saudades) e pelas letras, que agora tratam de temas mais do íntimo, do cotidiano (como em Quando Eu me Aposentar). Renovada por conseguir reconstruir (em faixas como Ai, Ai, Como eu me Iludo e Eu Confesso) características melódicas já utilizadas em 66 sem soar repetitiva ou cansativa.

Destaca-se entre as demais faixas do álbum O Cinza. Segunda faixa do álbum, é o principal momento de genialidade presente no álbum – não sendo o único. Se utiliza magistralmente da tal dinâmica pregada por Page quando mescla o trovão de seu riff cheio de fuzz e o sussurro de suas duas primeiras estrofes – mescla infelizmente pouco explorada no decorrer do álbum. Em Vanguarda e em Brazil temos um experimentalismo leve e acanhado. Na primeira, harmonia estranha e densa, carregada por acordes dissonantes distorcidos, por guitarras sobrepostas soando riff cheio de fuzz e por variações de altos e baixos, “céu e inferno”. Na segunda, esbanja tais altos e baixos de maneira mais leve, tecendo a suave teia harmônica em leve psicodelia e em melodia pegajosa e cativante; a música mais crocante, mais interessante do álbum.

Em O Terno, a banda consegue construir um álbum singular, afirmar-se como expoente da tal nova MPB e trazer ao ouvinte uma experiência única ao longo de doze faixas e 42min. Cativa com sua versatilidade, singularidade e por ser direto, sem rodeios, durante todo o álbum. O Terno precisa ser ouvido mais de uma vez para ser absorvido como se deve, logo aviso. A primeira vez para cativar, a segunda para amar. O álbum completo você pode ouvir AQUI Nota? 5/5

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