Indie Rock, Psychedelic Rock

A sutileza do Sun Structures

Uma das características mais interessantes e agradáveis do indie é sua capacidade de agregar à sua musicalidade tão jovem e atual elementos de outros diversos estilos musicais não tão atuais ou tão jovens quanto ele. Essa capacidade camaleônica do estilo é o que o torna cada vez mais versátil e dinâmico. A banda de hoje, Temples, é uma representante do indie-psicodélico, que busca acrescentar à leveza e jovialidade do estilo toques da velha psicodelia de bandas sessentistas. Seu álbum lançado esse ano causou certo burburinho entre a crítica de diversas partes do Globo. Ele é o Sun Structures, que chegou até a figurar entre os principais álbuns do ano, mesmo não merecendo.

sunstructures

Logo ao ouvir um pouquinho do som da banda é inevitável não associá-la a outras bandas que vêm tomando conta do mainstream e atraindo sucesso de público e critica com seu som psicodélico, como Tame Impala e POND. A associação é válida, mas as semelhanças entre as bandas não são tantas quanto você pode imaginar. Vindos do Reino Unidos, os rapazes do Temples trazem consigo toda a musicalidade já conhecida da música britânica, característica que não se pode ouvir no som de muitas outras bandas do tal indie-psicodélico. Temples trazem em Sun Structures uma música mais orgânica, menos eletrônica, com uma cozinha sustentada por batidas de bateria simples de um baixo sempre presente, além de guitarras comedidas e vocais relaxantes.

A homogeneidade das canções é, ao mesmo tempo o grande erro e o grande acerto da banda neste trabalho. O acerto está em conseguir reunir um conjunto de canções que, juntas, soam em boa harmonia e conseguem cativar o ouvinte logo de cara. O problema é que um álbum de doze faixas não pode apresentar tantas faixas tão parecidas umas com as outras. O fato de ser composto por faixas que soam tão parecidas torna o álbum maçante, desgastante. A segunda metade do álbum é nada mais nada menos que uma reprodução do que se ouviu na primeira; sem nenhuma novidade, nenhuma surpresa. O erro está em explorar à exaustão a mesma musicalidade, as mesmas construções dos arranjos.

Mesmo após diversas reproduções do álbum, por conta homogeneidade do álbum, continua difícil eleger uma ou outra canção que posso receber o título de a melhor entre as demais. Existem sim algumas faixas que se destacam, mas não por serem melhores que as outras, mas sim por serem aquelas que grudam na cabeça. É o caso de “Shelter Song“, que abre o álbum com uma proposta mais pop, com suas batidas cadenciadas, seu riff simples e seu refrão alto astral. “The Golden Throne” apresenta características parecidas, mas com um ritmo mais solto e dançante; uma música gostosa e de fácil absorção. “Mesmerise” é, sem dúvidas, a faixa mais pop entre as doze, tanto que virou um dos singles. “Move With The Season” já é uma canção mais intimista e explora bem esse clima com os vocais sempre presentes e com suas guitarras muito bem orquestradas durante toda a duração da faixa.

Mesmo errando e caindo na mesmice, o Temples entrega um bom trabalho em Sun Structures, conseguindo soar leve e descontraído durante as doze faixas. Um dos grupos do indie-psicodélico que não se contenta em ser apenas mais uma cópia do Tame Impala, mas que por meio de elementos da psicodelia agregados à musicalidade britânica que às vezes remete aos Beatles ou ao Oasis, conseguem construir a sua própria.  Nota? 3/5

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