Rock Nacional

Nheengatu: os Titãs não desaprenderam

Personagens principais do rock’n’roll nacional e expoentes da geração tão endeusada dos anos 1980, os Titãs durante seus 32 anos de carreira se afirmaram  como uma das melhores bandas nacionais não somente da historia do rock como também da música nacional. Em sua bagagem possuem trabalhos memoráveis, como Cabeça Dinossauro, Jesus Não Tem Dentes no País dos Bangelas e Õ Blésq Blom (1986, 1987 e 1989, respectivamente). Na ativa há tanto tempo, a banda já não conta há um tempinho com todos os seus membros originais. Mesmo assim, continuou a gravar e emplacar sucessos. Neste ano lançou o bom Nheengatu, trazendo um som mais distorcido e um discurso socialmente consciente.

nheengatuNheengatu vem na contramão de seu antecessor, Sacos Plásticos, e traz de volta a face mais distorcida e pesada dos Titãs. Saem de cena as batidas eletrônicas e entram as batidas acústicas, as guitarras agora falam mais alto e mais sujas, baladas são deixadas de lado e a banda se joga no rock’n’roll, o que sabe fazer muito bem.

Fardado” inicia bem o álbum com seu discurso curto e grosso, sustentado por um riff simples e pegajoso da guitarra base e com os fills bem feitos da guitarra solo. Já a faixa seguinte, “Mensageiro da Desgraça“, não é tão pesada quando “Fardado”, porém é bem mais interessante. Nela absorvemos o canto de um eu-lírico consternado, que está cansado da fome, do crack, da miséria, da cachaça e de ser humilhado. Uma das melhores composições do álbum, um dos melhores riff; uma bela canção. “Canalha” é outra boa faixa do álbum. É interessante como aos poucos vai crescendo e de acordo com a evolução das guitarras vai chegando cada vez mais alto até finalizar em um riff cru e básico.

Algumas canções fogem do rock’n’roll do restante do álbum e exploram outros elementos melódicos. É o caso do ska de “República dos bananas” e “Eu me sinto bem”. “República dos Bananas” e “Fala, Renata” são as únicas faixas realmente ruins do álbum; são terríveis. Já “Eu me sinto bem” é uma das melhores do álbum ao lado de “Canalha”, “Mensageiro da Desgraça” e “Flores Pra Ela”, soando descontraída e lembrando um pouco – bem pouco – os skas de álbuns anteriores da banda, principalmente os primeiros. “Flores Pra Ela” traz um bom arranjo das guitarras e do baixo, ecoando o riff principal por todas as estrofes da música. Os vocais de Paulo Miklos são vivos e soam bem harmoniosos, como de costume. Não que as outras faixas do álbum sejam ruins, só não merecem tanta atenção quanto essas aqui citadas. Algumas são boas, como “Pedofilia” e “Baião de Dois“, outras são realmente fracas

Nheengatu é a prova de que os Titãs não desaprenderam a fazer um bom álbum de rock’n’roll. Nesse trabalho o grupo se afasta da musicalidade mais leve dos álbuns anteriores e não hesita em se entregar às guitarras e baterias mais pesadas, o que resulta em uma ótima sonoridade. Um exemplo de como é bom retornar às raízes de vez em quando. As músicas do álbum você pode ouvir, separadamente, AQUI Nota? 4/5

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