Garage Rock

O feroz rock’n’roll do Royal Blood

Vem das longínquas terras britânicas o duo que mais fervilhou a cena musical no ano de 2014. Munidos de potentes riffs e de uma sempre energizante bateria, traz seu garage rock fortemente enraizado no blues e com um pé no heavy metal. Esse é o Royal Blood, uma das revelações do ano de 2014.

royal blood

Royal Blood traz uma ótima seleção de canções bastante homogênea, mas que não soa repetitiva ou cansativa. O estoque de riffs do baixista – sim, baixista! – Mike Kerr parece inesgotável, dando a cada canção uma pulsante vitalidade. Com seu baixo mergulhado na lama do fuzz, consegue dar luz a uma sonoridade selvagem e feroz, suja e pegajosa. É graças à utilização do baixo ao invés de uma guitarra que consegue ser ainda mais pesado, já que quanto mais grave mais sombrio e potente – Dimebag que o diga.

Out of Black” e “Come On Over” abrem muitíssimo bem o álbum e logo trazem ao ouvinte mais atento lembranças de outros dois duos muito respeitados e amados no mundo indie, The White Stripes e Black Keys. Não se pode afirmar se a influência é real ou não, mas é inevitável a associação à primeira execução. ThickfreaknessDe Stijl vêm logo à cabeça quando escutamos os riffs e os acordes nervosos mergulhados em fuzz. Não somente nessas duas faixas iniciais, mas também em outras seguintes, a associação é inevitável.

O peso nas canções aumenta a cada faixa, o que dá uma sensação incrível de força e voracidade. Em “Figure it Out” exploram o blues com personalidade, trazendo a beleza da mistura entre o peso da distorção e um refrão grudento. “You Can Be So Cruel” solta em nossos ouvidos seu riff pegajoso, conquistando com sua simplicidade e sua dinâmica – aquela dinâmica pregada por Page, que inclusive é fã do Royal Blood. Blood Hands” encerra esse Lado A com sua pegada crua e direta, nos preparando para o bombástico Lado B.

Se a primeira parte do álbum nos fez lembrar The White Stripes e Black Keys, a segunda nos levará a outras distantes influências da banda. Riffs simples e crus dão lugar a outros mais sofisticados e tão irresistíveis quanto. Cheias de groove são canções como “Loose Change” e “Little Monster”, que exploram muitíssimo bem a batucada da bateria e a cadência bonita de seus riffs. “Careless” vem logo em seguida e é, logo após a dobradinha inicial, um dos pontos altos de Royal Blood. Seu riff, mesmo que repetitivo, e suas variações dinâmicas antes e após os refrões agradam bastante. Perdida em meia a duas excelentes faixas, “Ten Tonne Skeleton” passa um pouco despercebida. “Better Strangers” fecha com chave de ouro esse consistente trabalho.

Em seu álbum homônimo, o duo Royal Blood consegue unir suas diferentes influências em uma musicalidade sempre direta, firme e voraz. O bolo da cereja é a utilização do contrabaixo ao invés de uma guitarra, o que traz a singularidade primordial à musicalidade. Se você se interessou por Royal Blood, talvez também se interesse por Far From Alaska e Muddy Brothers, duas bandas nacionais que fazem muito bem um som do mesmo estilo. NOTA? 4/5

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