Alternative Rock, Blues Rock

A força e a beleza de Sound & Color

Fisicamente falando, som pode ser definido como “propagação tridimensional de uma onda pelo espaço, apenas em meios materiais, como o ar ou a água” e cor pode ser definida como “uma informação visual, uma sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão e decodificada pelo cérebro”. Cor e som. Som e cor. Esse é o título do novo álbum da banda americana Alabama Shakes, lançado em meados do mês de Abril. A proposta é numa sonoridade saborosa e volumosa, explorando muito bem a dinâmica de altos e baixos. E é dele que falarei um pouco nesse post

alabama_shakes_sound_color

Tudo gira em torno da arrepiante voz de Brittany Howard. É ela a protagonista na maior parte do tempo, liderando com maestria o instrumental afiado, redondinho. É o que acontece em “Future People”, “Gimme All Your Love” e em outros momentos.

Abrindo o álbum, a faixa título funciona basicamente como uma introdução. Ela, que podemos chamar de faixa introdução, vem para preparar o ouvinte para o que há de vir. Apostando em uma sonoridade acolhedora, apaziguadora, sua musicalidade se diferencia bastante da apresentada pelo conjunto das demais.

“Don’t Wanna Fight” vem logo em sequência, nos contagiando com a cadência bonita de seu ritmo dançante e convidativo. As guitarras dão brilho a uma atmosfera leve e desenvolta. Trilhando o caminho inverso dessa animação, “Dunes” aposta na dinâmica e, mesmo exagerando nas repetições do refrão, é uma boa canção. “Future People” bebe da mesma fonte dançante de “Don’t Wanna Fight”, expandindo essa influência em algo muito maior, bem mais completo, complexo e potente. Rica em detalhes, precisa ser escutada com calma e atenção, pois só assim poderemos absorver sua energia e senti-la em sua totalidade.

Com momentos suaves, tranquilos e calmos e momentos explosivos e potentes, “Gimme All Your Love” é a grande pérola desse trabalho. Une perfeitamente sua riqueza à sua sonoridade pop de facílima absorção – indo de encontro à tendência de extrema pobreza no pop mainstream. É um hit em potencial. É o grande momento de Sound & Color e uma das canções mais bonitas que ouvi este ano.

Logo em seguida, estão duas canções que também merecem destaque. A primeira delas é a cativante “This Feeling”. A sutileza da voz (baixinha, ao pé do ouvido) e de cada nota soada pelo violão criam uma atmosfera tranquilizante e encantadora. A outra é “Guess Who”, que apresenta características bem semelhantes à anterior, sendo a diferença principal a presença da bateria, o que traz cadência e vivacidade.

“Gemini” e “Over My Head” encerram o álbum dando continuidade à consistência apresentada anteriormente. A primeira é densa, pesada, profunda, carregada, sutilmente transcendente. Já “Over My Head” é oposta, suave e tranquilizante em sua beleza cativante. Essas duas faixas fecham muito bem esse trabalho maravilhoso.

É a consistência de seu conjunto de canções o que faz de Sound & Color uma obra de arte. Flertando com a dinâmica e abusando da densidade das canções, cria uma atmosfera doce e quase palpável. Lapidando a musicalidade que conhecemos no seu antecessor (Boys & Girls), mexe com os sentidos do ouvinte, tornando sua execução uma experiência ímpar. É uma prova irrefutável da qualidade do Alabama Shakes e já garante seu lugar em nossos corações e nas listas de melhores lançamentos do ano (pelo menos na lista desse blog). Nota? 4.5/5

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