Experimental, Música Brasileira

Simplesmente Tulipa

James Brown já havia dado a ordem: get on up of that thing and dance ‘till you feel better (levante daí e dance até sentir-se melhor, em tradução mais que livre). E nós, que não somos bobos nem nada, acatamos a ordem, tomamos gosto pela coisa e não paramos mais. Se tratando do novo álbum da cantora Tulipa Ruiz, esse é o espírito da coisa. Em Dancê, ela nos convida para uma experiência única até agora em sua carreira. Dessa vez, o local de encontro é a pista de dança.

dancê - tulipa

Pode-se até dizer que Dancê é um álbum experimental, mas isso talvez não seja condizente com seus trabalhos anteriores. Dancê explora uma sonoridade com que Tulipa já flertava desde Efêmera, seu debut. O seu diferencial é ampliar esses sons, mergulhar de cabeça nesse swing e se esbaldar no groove. A sonoridade não é nova.

Prumo, faixa de abertura, sintetiza toda a renovação. Os agudos do refrão acordam o ouvinte para presenciar uma nova experiência musical junto a Tulipa. Em “Proporcional”, um momento contagiante, com seu instrumental apaixonada e calorosamente funky. Logo em seguida vem a gostosa “Tafetá”, mais um belo dueto de Tulipa.

“Elixir” também merece destaque. É uma canção que à primeira vista pode parecer confusa e até desconexa, mas que começa a fazer todo o sentido depois de algumas repetições. Sua densidade é magnética, vai nos atraindo de acordo com sua evolução. Assim que cada instrumento vai surgindo, cria-se uma mistura forte, e essa mistura é o diferencial desta canção.

“Jogo do Contente”, “Virou” e “Físico” podem muito bem ser executadas em sequência, porque encaixam muito bem umas nas propostas das outras. Na mesma levada das primeiras faixas, são cativantes, alto-astral e leves como devem ser, com essa atmosfera característica de Dancê.

“Oldboy” e “Algo Maior” são as faixas finais. A primeira vai de encontro à animação das faixas anteriores e traz ao ouvinte seu aconchego sustentado na doçura das vozes sobrepostas e na sobriedade encantadora do violão dedilhado, enquanto um maravilhoso solo de saxofone passeia solto pelos ouvidos. “Algo Maior” encerra o álbum fazendo jus a tudo o que foi apresentado anteriormente. Assemelha-se um pouco a “Elixir”, por conta de sua mistura sonora, sua mescla de cores e sabores.

Em Dancê, Tulipa Ruiz nos apresenta uma saborosa seleção de canções cheias de vigor, consistência e vitalidade. A propriedade com que explora essas sonoridades não tão presentes em seus trabalhos anteriores é o que mais mais encanta e surpreende. Mais uma vez, Tulipa ultrapassa as expectativas e entrega um trabalho excelente. Nota? 4.5/5

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