Experimental, Música Brasileira, MPB

Cósmica beleza de uma Gal estratosférica

Mesmo no auge de seus 50 anos de carreira, Gal Costa não para. Para uma artista consagrada como uma das maiores cantoras da história da nossa música popular brasileira, Gal não está nem um pouco presa à sua musicalidade característica. Ao contrário do que acontece com alguns artistas consagrados após muitos anos de carreira, a cantora não se acomoda em sua zona de conforto e nos entrega este ano um álbum de canções inéditas: Gal Estratosférica.

gal estratosférica

Para dar vida a seu mais novo trabalho, contou com a contribuição de uma série de compositores de diferentes gêneros e estilos. Interpretando canções de Tom Zé, Caetano e Moreno Veloso, Criolo e Milton Nascimento, Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, reúne quatorze canções em um álbum bastante heterogêneo, fazendo sua voz passear pela Bossa Nova, pelo Samba e até pela música eletrônica.

“Sem medo nem esperança” abre o álbum cheia de rock’n’roll, tendo nas guitarras distorcidas sua fonte de vivacidade e no tom calmo da voz de Gal o segredo de sua força. Dos versos “Nada do que fiz/ Por mais feliz/ Está à altura/ Do que há por fazer” podemos retirar um pouco da proposta de Gal para este trabalho: sair de sua zona de conforto e lançar-se aos desafios da novidade – e não é que a novidade agrada?!

A faixa-título mescla diferentes ritmos musicais em uma sonoridade leve e dançante, de fácil absorção e gostosa de se ouvir. Com sua malemolência, seu ritmo contagiante, traz uma proposta bem diferente da canção anterior, Jabitacá. Já “Quando você olha pra ela”, composta por Mallu Magalhães, exala brasilidade na cadência bonita dum samba, na voz serena e apaixonante de Gal, no instrumental sofisticado, no refrão pegajoso e nessa energia tropical.

Composta por Marcelo Camelo (Los Hermanos, Banda do Mar), “Espelho D’água” é intimista e apresenta um eu-lírico cantor de sua solidão e desilusão, tendo como pano de fundo uma harmonia serena e cadenciada. “Amor se acalme”, composta por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Cezar Mendes, conquista com sua sobriedade e com seu ar tranquilizante, sua sonoridade fácil e gostosa. Pode ser colocada ao lado de “Ecstasy” e “Jabitacá”, por afinidade sonora. Fica um pouco isolada no álbum após a sequência sintetizada e eletrônica.

Essa “sequência sintetizada e eletrônica” é a grande surpresa de Gal Estratosférica. São três canções do lado B do álbum, onde Gal flerta com batidas eletrônicas, samples e sintetizadores, ao estilo indie eletrônico de The XX, Mahmundi e cia: as experimentais “Casca”, “Por baixo” e “Você me deu”, compostas por Jonas Sá e pelos gênios tropicalistas Tom Zé e Caetano Veloso, respectivamente.

Gal Estratosférica é um álbum heterogêneo e consistente, onde podemos entrar em contato com uma artista no auge de seus 69, mas nem um pouco acomodada e longe de ser uma cópia de si mesma. Com afinco e destreza, Gal interpreta cada uma das canções, trazendo a elas um pouco de sua luz própria. Nota? 4/5

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