Indie, Música Brasileira, MPB, Pop

Temos que conversar sobre a banda Dônica

Em uma roda de discussão sobre música, volta e meia aparece alguém que enche e peito e ergue a voz para afirmar que “hoje em dia não se faz música boa”, fazendo coro a um discurso que, infelizmente, ouvimos com maior frequência que gostaríamos. Como resposta a isso, dizemos que não é bem assim, que há uma variedade de gêneros e artistas de qualidade, mas que eles estão longe, bem longe, da TV e do rádio. Apenas citar tais artistas, contudo, não surte o mesmo efeito que compartilhá-los. Por isso, compartilhar boas opções de música atual é a intenção deste blog. E a banda carioca Dônica sem dúvidas se encaixa nessa proposta.

    donica

Em Fevereiro, a banda formada por Lucas Nunes, Tom Veloso, André Almeida, José Ibarra e Miguel Guimarães apareceu por aqui na série Descubra (leia aqui). Àquela altura, haviam lançado um EP e algumas canções avulsas, chamando para si bastante atenção. E não foi à toa, já que a qualidade da banda salta aos olhos. Meses depois, foi lançado o debut Continuidade dos Parques, e é dele que falarei um pouco neste post.

Em 49min de duração, o álbum traz onze músicas. Dessas onze, cinco inéditas. A primeira, “É Oficial”, é uma faixa de introdução interessante e um tanto experimental. “904” transpira as influências nítidas do Clube da Esquina e do rock progressivo numa atmosfera dinâmica, elétrica e sofisticadíssima. Vale ressaltar que a banda soa infinitamente melhor quando aposta no rock progressivo.  “Pintor”, que conta com a participação de Milton Nascimento, soa carismática durante as primeiras execuções, mas depois disso fica um pouco difícil de digerir. “Retorno Para Cotegipe” mergulha num rock’n’roll maciço de guitarras nervosas, de cozinha ensandecida e de vocal sutil, que contrasta com o instrumental e só faz aumentar a beleza desses 3min. A última delas fecha o álbum, a carismática e cativante “Assuntos Bons”, que conta com o violão de Tom Veloso. Em uma harmonia leve numa melodia fácil, conquista o ouvinte sem grandes esforços.

O restante do álbum é composto por seis canções lançadas anteriormente. Nelas já estava a base do que viria a ser Continuidade dos Parques. “Carrossel” e “Inverno” trazem um rock progressivo com propriedade e classe. O rock progressivo, aliás, foi a primeira sonoridade explorada pela banda, antes do lançamento do seu EP. No EP estavam as canções “Bicho Burro”, “Macaco no Caiaque”, “Casa 180” e “Praga”, que se afastam um pouco, mas só um pouco, do Prog Rock para orbitar o bem mais acessível pop, sem perder a qualidade ou abandonar suas ricas influências.

Em seu debut, a banda Dônica afirma-se como uma das vias de escape para aqueles que olham para o mainstream brasileiro e procuram por algo que vá além da música sertanejo e pop-eletrônica, que hoje são um grandessíssimo sucesso nacional. O que os difere desses outros artistas são suas influências, sua técnica com os instrumentos e sua abordagem jovem e despojada. Como ainda é uma banda iniciante, podemos esperar muito mais de seus próximos trabalhos. Por isso, vale a pena ficar de olho. Nota? 4/5

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